Clássicos da MPB #1 – Tropicália ou Panis et Circencis (1968)

Disco manifesto do movimento tropicalista, que propunha a união de manifestações tradicionais da cultura brasileira e inovações estéticas influenciadas pela música pop internacional, como os Beatles, e o movimento literário concretista, surgido na década de 1950 e que se preocupava mais com a organização visual do que com os versos e sintaxes. O movimento surge espontaneamente durante o 3º Festival da Música Popular Brasileira de 1967, promovido pela TV Record. A música “Domingo no Parque”, apresentada por Gilberto Gil no festival, com os Mutantes, é considerada o marco inicial do movimento tropicalista. O disco aparece em todas as listas dos mais importantes gravados no Brasil, por sua enorme influência e por ter injetado modernidade na MPB, com o uso de instrumentos elétricos, um tabu até então, e por universalizar a nossa música, abrindo-a para para o som mais pop. A Revista Rolling Stone Brasil o classificou como o segundo melhor disco da MPB, por exemplo.

A obra reuniu os cantores Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé, as cantoras Nara Leão e Gal Costa, o grupo de rock Mutantes, os poetas Capinam e Torquato Neto, e o maestro Rogério Duprat, cujos arranjos estão entre os pontos fortes do disco, que foi gravado em maio de 1968, no estúdio RGE, em São Paulo, e lançado em julho do mesmo ano, pelo selo Phillips.

O disco começa com “Miserere Nóbis”, composta por Gilberto Gil e Capinam, uma crítica ao país do futuro que nunca acontece. Na segunda faixa uma regravação, “Coração Materno”, composta e gravada por Vicente Celestino em 1937, cantada aqui por Caetano Veloso. As duas primeiras faixas são ligadas por tiros de canhões. “Panis et Circensis”, uma composição de Gil e Caetano, recebe uma interpretação psicodélica dos Mutantes, um clássico instantâneo. Nara Leão canta “Lindonéia”, que Caetano compôs inspirado na obra “Lindonéia, a Gioconda do Subúrbio” do artista plástico Rubens Gerchman, autor da capa do disco. A quinta faixa é “Parque Industrial” de Tom Zé, cantada aqui pelo próprio, mais Caetano, Gil, Gal e os Mutantes. A música é uma referência irônica ao milagre econômico do regime militar. “Geleia Geral”, de Torquato Neto e Gilberto Gil, cantada pelo segundo, fechava o lado A do LP e expressa todas as misturas propostas pelo movimento.

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Ouça o disco

O maior sucesso do disco, “Baby”, abria o lado B do disco. Composta por Caetano e com uma interpretação marcante de Gal Costa, seria regravada posteriormente pelos Mutantes. Na sequência outra regravação, “Três Caravelas” (“Las Tres Carabelas”), composta pelos espanhóis Augusto Algueró Jr e Santiago Guardia Moreau, em 1955, com versão do compositor João de Barros, o Braguinha, é interpretada aqui por Caetano e Gil, com o primeiro cantando a versão original e o segundo a versão em português. “Enquanto Seu Lobo Não Vem”, composição de Caetano, interpretada por ele, Gil e Rita Lee, é uma clara referência à repressão militar. O disco segue com outra música de Caetano, em uma parceria com Torquato Neto, “Mamãe Coragem”, em uma linda interpretação de Gal Costa. O disco fecha com “Bat Macumba” e “Hino ao Senhor do Bonfim”, a primeira uma composição de Gil e Caetano, e a segunda uma música cívico-religiosa de 1923, de Artur de Sales e João Antônio Wanderley, composta para as comemorações do centenário da independência da Bahia. Essas duas últimas músicas interpretadas por Caetano, Gil, Gal e Mutantes.

Veja algumas fotos da época

A capa do disco foi uma criação do artista plástico carioca Rubens Gerchman, com base em uma foto de Olivier Perroy, onde aparecem os envolvidos no projeto. Gilberto Gil repete a pose de Oswaldo de Andrade em um retrato dos modernistas de 1922, ele segura uma foto de capinam; Caetano Veloso segura uma foto de Nara Leão e Capinam um penico, como se fosse uma xícara.


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