Extinções em Massa – 1º Texto: Evento Ordoviciano-Siluriano

Hoje é comum encontrarmos matérias que igualam as ações humanas com os cinco grandes eventos de extinção em massa registrados na história do planeta Terra. Essa comparação não é apenas fruto de mentes conspiratórias ou voltadas à ficção, pois é defendida por inúmeros cientistas em todo o mundo. Ninguém duvida da imensa capacidade humana de destruição. A espécie humana já se mostrou capaz de modificar a paisagem de regiões inteiras, comprometendo a biodiversidade e esgotando os recursos naturais.

A capacidade de destruir e esgotar dos humanos não é nova. No passado, impérios caíram por terem esgotado seus recursos naturais. Isso parece ter acontecido com cidades maias, com antigos impérios mineradores africanos e na Ilha de Páscoa. Mas esses eram casos regionais e não eventos globais, como vem acontecendo hoje. O crescimento desgovernado da humanidade já é capaz de transformar até o clima da Terra e ameaçar toda a vida do planeta.

Diversos eventos de extinção em massa aconteceram desde que a vida se estabeleceu na Terra. Os cientistas contam cerca de vinte e oito eventos, a grande maioria deles de proporções mais regionalizadas, comprometendo determinados grupos da fauna e/ou flora, com ações mais centralizadas. Os motivos que desencadearam esses eventos são variados, desde o impacto de corpos celestes com a superfície do planeta e atividades vulcânicas extremas, até o aumento e diminuição abruptos nos níveis de oxigênio disponíveis na atmosfera e nos oceanos, ou mudanças climáticas extensas.

Seis desses eventos foram os maiores de todos, pois causaram mudanças profundas na fauna e flora terrestre e marinha, em alguns casos em escala global. Segundo a ciência, um desses eventos está em pleno andamento e nós, os humanos, somos o agente causador. Antes de falarmos do evento atual, é necessário que os eventos anteriores sejam apresentados.

O primeiro grande evento de extinção em massa aconteceu por volta de 443 milhões de anos atrás, no limite entre os períodos Ordoviciano (488 a 443 milhões de anos atrás) e o Siluriano (443 a 416 milhões). Foi o segundo maior evento de extinção, em número de gêneros extintos. Afetou quase todos os grupos taxonômicos marinhos. Vale lembrar que no Período Ordoviciano toda vida era aquática, os continentes eram desérticos e todos concentrados no hemisfério sul. Os invertebrados dominavam os mares, surgiram os primeiros peixes sem mandíbula e existem evidências de que as plantas começavam a sair das águas.

Nesse evento de extinção, cerca de 100 famílias, 49 a 60 % dos gêneros e quase 85 % das espécies que habitavam os mares desapareceram. Um terço de todas as famílias de braquiópodes e de briozoários desapareceram, além de numerosos grupos de conodontes, trilobites e graptólitos. Os braquiópodes são invertebrados de corpo mole, protegido por concha dividida em duas partes, muitas vezes semelhantes a uma ostra, mas sem relação com os moluscos bivalves. Ainda restam cerca de 120 espécies vivas desse filo animal. Os briozoários e os graptólitos era pequenos animais filtradores, ambos formados por um cone de proteção secretado pela epiderme, com uma coroa de tentáculos na abertura (briozoários), e um par de “braços” com tentáculos (graptólitos). Ainda restam 3.500 espécies vivas do primeiro grupo, o segundo está competamente extinto. Outro grupo hoje extinto, os conodontes, eram pequenos cordados agnatas (com cordão nervoso central, sem mandíbula), cujos fósseis lembram dentes de formas variadas.

A possível causa do evento foi o rápido início de um período glacial, talvez em decorrência do movimento dos continentes para a região polar sul, ocasionando uma diminuição dos níveis do mar, impactando as área marinhas mais rasas, principal nicho ecológico da biota marinha ordoviciana. O aparecimento e desenvolvimento de plantas terrestres e micro fitoplânctons, que consomem o dióxido de carbono atmosférico e diminuem o efeito estufa, parecem ter contribuído para a diminuição da temperatura terrestre.

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